Alemanha usa seus museus como ferramenta de diplomacia cultural
Agência ligada ao Ministério das Relações Exteriores financia intercâmbios e consultorias para dar visibilidade a instituições menos conhecidas do país.

Resumo elaborado pela redação do Panorama a partir das fontes listadas abaixo. Os fatos citados são atribuídos às publicações originais.
Além de endereços célebres como a Neue Nationalgalerie e o Museu Pergamon, a Alemanha abriga milhares de museus pouco conhecidos, e o governo do país passou a usá-los como instrumento de política externa, mostra reportagem da Folha de S.Paulo.
Segundo o Institut für Museumsforschung, entidade que pesquisa o setor, o país tem 6.673 instituições museológicas, que somaram 107 milhões de visitas em 2024. Dados referentes a 2023 indicam, porém, que 56,7% delas receberam menos de 5.000 visitantes e apenas 5% passaram de cem mil.
Para ampliar essa visibilidade, o governo criou há três anos a Agência para a Cooperação Internacional de Museus, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. O órgão financia intercâmbios de acervos e de especialistas com outros países, viabiliza empréstimos de obras e a circulação de exposições e presta consultoria tanto a museus municipais e estaduais quanto a instituições estrangeiras que desejam se internacionalizar.
A dirigente da agência, Silke Krummel, vê os museus como espaços de "soft power", capazes de criar vínculos que vão além das trocas econômicas e políticas, e como uma força contra o chauvinismo e a desinformação. Uma pesquisa do mesmo instituto indica que os museus estão entre as instituições em que os alemães mais confiam, atrás apenas da família e dos amigos.
Um dos exemplos citados é o Brücke Museum, em Berlim, inaugurado em 1967 e dono de um dos maiores acervos do expressionismo alemão, com obras de Karl Schmidt-Rottluff, Erich Heckel e Ernst Ludwig Kirchner. A reportagem lembra ainda o debate sobre a repatriação de bens levados no período colonial: o Linden Museum, de Stuttgart, firmou acordo com a Nigéria para devolver peças pilhadas no século 19.