Campanha de Flávio vê tropeço em fala sobre mudar a Constituição, diz CNN Brasil
Segundo a emissora, aliados e juristas reagiram mal, e a campanha adversária deve explorar a declaração no segundo turno; o candidato disse depois que falava de PECs.

Resumo elaborado pela redação do Panorama a partir das fontes listadas abaixo. Os fatos citados são atribuídos às publicações originais.
De acordo com a CNN Brasil, a equipe de Flávio Bolsonaro (PL) avalia que o candidato cometeu um tropeço ao falar em mudar a Constituição durante a campanha do segundo turno de 2026. A declaração, considerada vaga e não ensaiada, teria provocado reações negativas de aliados e juristas. Adversários a interpretaram como intenção de substituir a Constituição de 1988, o que gerou críticas imediatas.
Na reportagem, o candidato teria esclarecido no dia seguinte que se referia a Propostas de Emenda à Constituição (PECs), instrumento que altera partes do texto e exige três quintos dos votos em dois turnos na Câmara e no Senado. O jornalista Pedro Venceslau relatou que integrantes da campanha descrevem Flávio como disciplinado e acostumado a treinar falas; desta vez, disse ele, foi "de improviso". Um aliado próximo chamou o episódio de "movimento brusco", a ser evitado por transmitir soberba e tocar em tema sensível após o 8 de janeiro.
Juristas também criticaram. Segundo a CNN, o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior disse que é "temerário" prometer mudar a Constituição e perguntou se seria "para o modelo de Bukele". O ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira chamou a fala de "vazia", por não explicar a mudança pretendida.
Fontes da campanha ouvidas pela emissora avaliam que pautas radicais ligadas ao 8 de janeiro agradam ao eleitorado bolsonarista, mas têm forte rejeição entre eleitores que votam em Flávio por oposição ao adversário. A campanha do PL vinha investindo na imagem de um "Flávio moderado", diferente do pai, Jair Bolsonaro, e o episódio dificultaria essa construção.
A CNN também informa que, segundo análise de Larissa Rodrigues citada pela emissora, a campanha do PT deve usar a fala nas redes sociais e nas propagandas de rádio e TV, na linha de "plantar uma sementinha de temor" sobre riscos de um governo Flávio. A reportagem não traz posicionamento oficial da campanha do PT.