Capas de livros de terror guardam os medos coletivos de cada época
Em seleção para o Halloween, a Folha mostra como o escritor Grady Hendrix e especialistas leem o gênero como retrato de seu tempo.

Resumo elaborado pela redação do Panorama a partir das fontes listadas abaixo. Os fatos citados são atribuídos às publicações originais.
No Halloween, a Folha de S.Paulo publicou reportagem sobre o que as capas de livros de terror revelam sobre as ansiedades de cada período em que foram produzidas. O texto é de 30 de outubro.
A base é "Paperbacks from Hell", obra do escritor e colecionador americano Grady Hendrix, ainda inédita no Brasil, que revisita capas publicadas nos Estados Unidos entre os anos 1960 e 1990. Segundo ele, a falta de medo de controvérsias na época permitiu designs bem diretos.
Hendrix defende que o encanto não está só no visual, mas também na escrita, que "não respeita nenhuma regra, a não ser uma: ser sempre interessante". Ele já publicou no país "O Exorcismo de Minha Melhor Amiga" e "Manual das Donas de Casa Caçadoras de Vampiros", cujas capas imitam o estilo simples e jocoso que ele diz admirar.
Para o psicanalista e semioticista Adriano Messias, o medo muda de forma conforme as demandas sociais: todo monstro se relaciona com o mal-estar de sua cultura.
Nos anos 1950, por exemplo, o receio do comunismo e de uma guerra nuclear aparecia em filmes sobre invasores alienígenas, muitas vezes vindos de Marte, o planeta vermelho. O terror, resume Hendrix, expõe os medos de hoje e antecipa os de amanhã.