Google condiciona acesso de escolas ao buscador à adoção de ferramentas de IA
Redes de ensino poderão desligar o Gemini e outros recursos, mas perderão a busca do Google; mudança foi criticada por educadores e pela ex-chefe da FTC Lina Khan

Resumo elaborado pela redação do Panorama a partir das fontes listadas abaixo. Os fatos citados são atribuídos às publicações originais.
O Google anunciou na terça-feira (3) que escolas usuárias de suas ferramentas educacionais só continuarão a ter acesso ao buscador da empresa se também aceitarem recursos de inteligência artificial, segundo reportagem da Associated Press publicada pelo g1.
Pela nova regra, deixa de ser padrão a ativação automática do chatbot Gemini para alunos da educação básica, adotada em agosto no Google Classroom. Administradores de escolas de ensino fundamental e médio poderão ligar ou desligar individualmente cada ferramenta, como Gemini, Gemini Notebook e a própria busca, que ficarão desativadas até que decidam habilitá-las. Como o buscador está integrado à IA, porém, quem recusar a tecnologia ficará sem ele.
Em publicação no blog da empresa, Chris Phillips, vice-presidente de educação do Google, afirmou que as escolas devem ter controle sobre o uso de IA em sala de aula. A companhia disse ainda que vai ajustar a busca para oferecer orientações passo a passo, em vez de respostas prontas para as tarefas.
A medida provocou críticas imediatas. Lina Khan, ex-presidente da Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC), acusou o Google de usar seu monopólio nas buscas "para coagir as escolas a adotarem inteligência artificial". Josh Golin, diretor-executivo da organização Fairplay, recomendou que as escolas desativem os serviços da empresa e procurem alternativas que protejam a privacidade dos dados.
De acordo com o Google, 150 milhões de estudantes e professores usam o Classroom no mundo. A empresa é a principal fornecedora de tecnologia educacional nas escolas dos EUA, onde as redes de Nova York e Los Angeles suspenderam temporariamente o uso de IA generativa no ensino fundamental enquanto avaliam sua segurança.