Copom interrompe cortes e mantém a Selic em 13,75% ao ano
Decisão unânime do Banco Central cita expectativas de inflação mais altas, incertezas maiores e desaceleração mais forte da atividade econômica.

Resumo elaborado pela redação do Panorama a partir das fontes listadas abaixo. Os fatos citados são atribuídos às publicações originais.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu por unanimidade, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, informou o g1. Com isso, o colegiado interrompe o ciclo de cortes iniciado em março deste ano.
No comunicado, o comitê argumentou que o aumento das incertezas, a alta das expectativas de inflação e uma desaceleração mais acentuada da economia doméstica formam um cenário desafiador, que exige "serenidade e cautela" na condução dos juros. O BC disse ainda acompanhar com atenção a desancoragem das expectativas para prazos mais longos.
Segundo o g1, depois da confirmação da vitória de Lula para um quarto mandato, o mercado financeiro elevou suas projeções de inflação e de juros, reduziu as estimativas de crescimento e passou a prever um dólar mais alto. O Boletim Focus divulgado na terça-feira (3) apontou inflação de 5,22% em 2026 e 4,76% em 2027. O Copom, por sua vez, elevou de 3,4% para 3,5% sua projeção para o segundo trimestre de 2028, o horizonte relevante da política monetária.
No cenário externo, o BC citou um ambiente mais adverso por causa do prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, que pressionam o petróleo, e da política monetária mais restritiva nas economias avançadas. Internamente, apontou moderação mais forte da atividade, mercado de trabalho ainda resiliente e inflação acima do teto do intervalo de tolerância da meta, que é de 3%, com margem entre 1,5% e 4,5%.
Com a decisão, o Brasil segue no topo de um ranking de 40 países elaborado pelos sites MoneYou e Lev Intelligence: descontada a inflação esperada para 12 meses, o juro real brasileiro é de 8,45% ao ano, à frente da Rússia, com 6,79%.