Lote de 722 artigos matemáticos da OpenAI causa choque e desconfiança entre especialistas
Empresa diz que resultados feitos em boa parte por modelo ainda não divulgado podem ampliar as fronteiras do conhecimento; vários textos já foram retirados ou alterados.

Resumo elaborado pela redação do Panorama a partir das fontes listadas abaixo. Os fatos citados são atribuídos às publicações originais.
No início de outubro, a OpenAI publicou 722 artigos que tratam de 372 problemas matemáticos em aberto, produzidos em grande parte por um modelo de IA ainda não divulgado. A análise é da professora Melissa Lee, da Universidade Monash (Austrália), em texto publicado pela Folha, que descreve a comoção na comunidade matemática.
Alguns trabalhos alegam avanços em problemas famosos, como a hipótese de Riemann e a conjectura de Birch e Swinnerton-Dyer, ambos do Prêmio do Milênio, que paga US$ 1 milhão a quem os resolver. Desde a divulgação, vários artigos foram retirados ou alterados.
A autora questiona o método. A OpenAI diz que quer promover o progresso da matemática, mas, segundo ela, um colega sênior achou um dos textos tão incompreensível que o descartaria se fosse editor de revista. O próprio ChatGPT, consultado por ela, classificou ao menos um dos resultados como alucinação grave.
O texto lembra ainda que, em setembro, a empresa divulgou uma solução controversa para um caso do problema de Navier-Stokes. Os matemáticos Tristan Buckmaster e Levent Alpöge acusaram a OpenAI de usar suas ideias e dados, o que a empresa nega.
Para a autora, outra motivação possível é a corrida pela inteligência artificial geral, já que a matemática pura é um terreno simbólico para mostrar capacidade de raciocínio.